domingo, 27 de maio de 2012

"Enquanto você tenta provar para seus amigos como é forte, ela está lá com aquele sorriso incrível estampado no rosto que costumava ser só seu. Enquanto você olha em todas mulheres vazias procurando algum conteúdo, ela reluz e irradia felicidade encantando a todos que passam por perto. Enquanto você pensa "Como pude deixar ela escapar?", ela pensa "Ainda bem que me livrei dele." "

Isabela Freitas

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Carta de Zé a sua velha amiga;


"Olá, me senti na pressão e obrigação de escrever esta carta para minha velha amiga, a doce, a chorona, a sensível, a que sorri facilmente e acredita facilmente também. Não vou lhe perguntar o porquê mudaste tanto, pois você fez questão me contar na carta que me mandastes. Como deveria lhe chamar agora? Velha amiga? Pois bem, velha amiga eu sei que ficará bem de preto e com algum copo de Martini na mão. Sei também que essa dor ai dentro do seu coração não vai embora junto com a sua velha personalidade e com seu vestido de bolinha rosa bebê. Eu sei, eu sei você não está gostando da carta até aqui não é? Velha amiga eu estou do seu lado mesmo com esse seu novo jeito rebelde, mas também vou estar ao seu lado quando essa dorzinha que ainda está aí cutucar seu coração e você precisar chorar e fizer manha. Eu estarei ai querida pra lhe abraçar e dizer que você sempre será meu bebê. Querida não esqueça que um bom café amargo, um papel em branco e um lápis costuma melhorar as coisas. Eu ultimamente ando com um bloqueio para escrever, ando apenas no mundo da lua pensando em como as coisas poderiam acontecer e pensando em como você anda sobrevivendo sem mim ai. Bem, velha amiga antes de colocar esse lápis preto nos olhos chore bastante, mas chore muito, as coisas vão ser mais fáceis e você vai ficar mais leve pra enfrentar sua nova personalidade forte e fria. Pequena, só queria lhe pedir para não perder esse sorriso que ainda me encanta depois de tanto tempo sem nos vermos. Enfim, seja você, a nova você. Até breve nova amiga."

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Razão..

"Vi na TV, recentemente, um psicólogo dizendo que a mulher demora mais pra terminar um relacionamento, mas quando faz, é porque já tentou de tudo. Já deu chance, já perdoou, já pediu pra mudar, já mudou, já fez e aconteceu e nada mudou. Já os homens têm mais facilidade em jogar tudo pro alto. Porém, na maioria das vezes, eles voltam atrás. Se isso é verdade, eu não sei, mas eu, particularmente, ando mais adepta da razão.Nós, mulheres, somos mais tolerantes. A gente fica em casa enquanto o namorado vai beber com os amigos. A gente fica em casa enquanto ele vai jogar futebol. A gente fica em casa enquanto ele viaja a trabalho. Mas, enquanto a gente ta em casa, a cabeça pensa, dá voltas, procura uma saída. A cabeça pesa. A cabeça põe na balança os prós e os contras. Enquanto ele grita, a gente fica muda. E pensa. ...Dizem que a mulher é mais emoção, mas, me desculpem. Quando decidimos algo importante na nossa vida, somos só razão.
E a razão demora. Pensa. Repensa. Pesa. Calcula. Avalia. A razão dá chance. Acredita na mudança. A razão faz a gente mudar. A emoção é toda atrapalhada. A emoção sai batendo a porta. A emoção grita. Xinga. Esperneia. Faz pirraça. Chora. A emoção põe tudo a perder no momento errado. Mulher é muito assim. Emoção pura ao longo do caminho. Mas a gente sabe que, quando a decisão é séria, a coisa precisa ser pensada. E a gente não põe tudo a perder a toa.
Quando damos a cartada final é porque não há mais nada a perder. A gente já olhou por todos os ângulos, já fez os cálculos de todas as probabilidades disso dar certo e concluiu que não dá. A gente vai sentir falta. O domingo à noite vai ser foda. Vai doer pensar que ele vai ser de outra. Mas tudo isso a gente já pensou antes. Nada disso vai ser mais foda do que continuar no relacionamento.
Relacionamentos são pra deixar a gente mais feliz. Estou falando de rolo, namoro, casamento. Se veio mais um pra ficar com a gente, é pra somar. Se ta dando dor de cabeça, se ta pesado, se ta sofrido, se ta fazendo mal, melhor sem ele. Um namorado me disse, certa vez, que não estava feliz comigo. Achei justo que terminássemos. A última coisa que quero, no mundo, é fazer alguém infeliz. Se já não é fácil agüentar a própria infelicidade, agüentar a dos outros é quase impossível[...]"

terça-feira, 15 de maio de 2012

"[...] – Você parece mais dura hoje em dia.
– Mais decidida, você quer dizer.
– Talvez – digo e retorno ao estado de mudez, acompanhando o tráfego janela afora.

Não sei onde ela está me levando, digo, o endereço onde a coisa vai acontecer. Mas dá pra ver, pela determinação e tudo, que ela passa pela frente todos os dias, indo para seu escritório, e acho que ela tem várias ideiais sacanas ao cruzar com a fachada em neon vermelho, espero que alguma das fantasias me inclua – éramos ótimos juntos, naquele tempo. Ela foi a melhor transa que já tive, não tecnicamente, mas sim se o teor da conversa incluir intimidade, paixão e capacidade de se aventurar em alguma esquisitice. Tínhamos onze, doze anos a menos e uma curiosidade sem fim, uma fome de mundo.

Trepávamos muito, conversávamos, nos envolvíamos em comidas vegetarianas, brigávamos por ciúme das vizinhas (e das minhas colegas na faculdade, primas, enfim, qualquer uma), fumávamos um cânhamo, líamos poesias um para o outro: ela gostava de E. E. Cummings, eu de Augusto dos Anjos. Um dia, embrenhados no cobertor, assistidos pela luz amarelenta do quarto, me debrucei sobre seus encantos e recitei em sua orelha morna um verso escrito especialmente:

Encantado pelo som do teu mar / Deixei tua onda pegar e me levar.
O resto não lembro. Sabíamos, naquele tempo, como tornar as coisas inesquecíveis, e agora sofremos na distância do próprio “mal” que criamos. Amei aquela pequena de 1999 por três anos a jato, com a ingenuidade, a paixão e a dedicação de um soldado patrício. E depois os anos foram passando, ela casou, eu andei por aí, a gente nunca mais se viu nem se falou, seria estupidez manter contato com aqueles olhos de coruja que ela tem, aquelas pupilas que puxam, e o medo e o desejo acabam brigando de soco dentro da gente. E agora o acaso nos oportuniza esse revival. Uma versão adulta e séria daquele casalzinho bonito e visguento e apaixonado da última década. Por pouco, ela não me arruina para outras mulheres.
[...]
 Enfim, é assim que eu gosto de vê-la: sentindo. Hoje é ira e desprezo. Amanhã é paixão e carinho. Quem é capaz de explodir de raiva, também é capaz de explodir de amor."

Ganito Nunes

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre. Mas, pela primeira vez, triste por você. Que outra mulher te veria além da sua casca? A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida. E você me olha com essa carinha banal de ‘me-espera-só-mais-um-pouquinho’. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta.
Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.
Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. Mas chega disso.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado."


Tati Bernardi

quinta-feira, 10 de maio de 2012


Você me pediu perdão como se pudéssemos remover com uma borracha nosso pequeno e trágico passado. Mas eu te perdoei porque não consigo gastar um átimo de segundo da minha existência guardando qualquer sentimento por você. E para te perdoar, precisei perdoar também a mim mesma pela armadilha que criei quando eu estava triste e desorientada demais para achar que você pudesse me dar qualquer tipo de direção e desabei nos seus braços e me deixei levar pelas suas mentiras caudalosas. E você, com sua personalidade nociva e perversa, e por viver tão afundando na ignorância de ser quem é ainda pensou que ser perdoado era um passaporte para qualquer tipo de aproximação. Não. Agora eu tenho sanidade para fazer escolhas certas e não estou mais frágil como antes. O que você me causou e as consequências graves que tive que administrar sozinha, por causa da sua covardia, me fortaleceram de tal forma, que o meu horizonte interno se ampliou no peito e nos olhos e o meu tamanho teve que ser aumentando para comportar tantos aprendizados. Por isso, a pessoa que consegue te perdoar hoje, não é a mesma que você feriu com toda crueldade que eu não sabia ser possível num ser humano considerado socialmente normal. O mal que você tem feito a si mesmo, não é mais problema meu e a minha presença seria um presente dado a alguém que não tem a menor condição de receber o que é bom. Eu poderia ter ajudado você a se lapidar com a minha predisposição para o amor. Mas você, acostumado a viver na escuridão, não soube suportar a minha luz.
Espero que encontre alguma paz se algum dia conseguir e quiser viver dentro da honestidade.


- Foice, o tempo - Marla de Queiroz

segunda-feira, 7 de maio de 2012

“Mulher não desiste, se cansa. A gente tem essa coisa de ir até o fim, esgotar todas as possibilidades, pagar pra ver. A gente paga mesmo. Paga caro, com juros e até parcelado. Mas não tem preço sair de cabeça erguida, sem culpa, sem ‘E se’ ! A gente completa o percurso e ás vezes fica até andando em círculos, mas quando a gente muda de caminho, meu amigo, é fim de jogo pra você. Enquanto a gente enche o saco com ciúmes e saudade, para de reclamar e agradece a Deus! Porque no dia que a gente aceitar tranquilamente te dividir com o mundo, a gente não ficou mais compreensiva, a gente parou de se importar, já era. Quem ama, cuida! E a gente cuida até demais, mas dar sem receber é caridade, não carinho! E estamos numa relação, não numa sessão espírita. A gente entende e respeita seu jeito, desde que você supra pelo menos o mínimo das nossas necessidades, principalmente emocionais, porque carne tem em qualquer esquina. Vocês nem sempre sabem, mas além de peito e bunda, a gente tem sentimentos, quase sempre a flor da pele. Somos damas, somos dramas, acostumem-se. Mulher não é boneca inflável, só tem quem pode! Levar muitos corpos pra cama é fácil, quero ver aguentar o tranco de conquistar corpo e alma, até o final.”


Tati Bernardi