terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"[...]Um dia enquanto estava distraída o bastante para não prestar atenção ao meu redor, ele apareceu. Achei que era somente mais um daqueles caras que chegavam com uma desculpa qualquer para poder desfrutar da minha companhia, já havia preparado meu sorriso mais antipático quando ele disse "Ei, tem alguém sentado aqui?", pensei em dizer "Não, mas você também não vai sentar querido", ainda bem que fui interrompida com um "É porque preciso de uma cadeira a mais na minha mesa, mas.. Tudo bem". Que tapa na cara garota, tira essa armadura.. "Sem problemas". Ele pegou a cadeira, deu o sorriso mais lindo que já vi e saiu logo de perto, deve ter pensado que eu era amargurada ou algo do tipo. O que não era mentira.. Depois de tantas decepções, depois de acreditar nas pessoas e dar com a cara no chão inúmeras vezes e de ter beijado sapos na esperança que um dia eles virariam príncipes.. Eu cansei.
[...]

Andando distraída por aí esbarro com alguém. Minha armadura e as dez pedras na mão já estavam preparadas para soltar um "Ei, olhe por onde anda!'', quando vejo aquele sorriso de novo, as borboletas há muito tempo adormecidas em meu estômago quase acordaram, remexeram. Dei um sorriso torto, que era o máximo que eu conseguia e disse "Oh, você..", "Daquele dia no bar, né?'' "Isso.." "Você é sempre monossilábica assim ou só com estranhos?" "Hm.." "Tudo bem, eu gosto. Afim de dar uma caminhada?" "Pode ser". E passamos o resto da tarde nos conhecendo e reconhecendo. Não sei o que ele tinha, não sei se era o sorriso que iluminava tudo ou se era o jeito com que me tratava. Como se eu fosse linda do jeito que era, quando na verdade todos sabiam que eu era só mais um desastre em forma de mulher. Atraente, sim. Confusa, cheia de problemas e perturbada? Com certeza. Mas isso não era um problema pra ele, e eu não entendia. Não mesmo. Eu apavorava qualquer homem que permanecesse mais que cinco minutos comigo, mas ele não. [...]"


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